No começo deste mês, tive uma grande vontade de escrever sobre uma série de reflexões que Deus tem me dado, ou seja, falar um pouco sobre os vários aspectos que tenho vivido e experimentado na minha caminhada com Cristo na Igreja Católica.
O assunto por onde gostaria de começar é algo altamente ligado ao meu próprio serviço: Música. Falar de música, e música dentro da Igreja, é algo muito bom, mas que traz muitas vezes realidades distintas do real serviço do músico cristão.
Mas, vamos lá começar esta nossa série de reflexões sobre os vários ministérios que Deus nos chama a exercer.
"Minha Alma Glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria" Lucas 1.
Bastaria dizer que seria suficiente conseguir entoar um canto com a mesma prontidão e sinceridade do coração de Maria ao cantar o Magnificat.
Ser músico é estar disposto a assumir uma missão grandíssima, mas, sem nunca perder de vista Aquele que é o grande Mestre, o grande Autor. Maria disse Sim ao projeto de Deus e entoou seu canto. Se formos procurar na Bíblia as inúmeras passagens que tratam de acontecimentos onde músicos estão presentes, veremos que sua figura é sempre a de uma pessoa que ouve a Voz de Deus e através de um cântico de Louvor, ou súplica, consegue levar um exército, ou um povo inteiro a alcançar feitos incríveis. A nós, hoje, músicos da Igreja Católica é dada a mesma missão: Reproduzir com nossos instrumentos, ou vozes, um canto que brote do coração, e que assim ajude Deus a vencer algumas batalhas. Acontece que, muitas pessoas que trabalham na música, ainda hoje pensam e acreditam que é possível fazer uma boa canção sem antes ter uma vida de oração embasada nos direcionamentos do Evangelho. Acreditam que só a experiência e a técnica bastam.
Vamos imaginar a seguinte cena: Colocamos um copo vazio embaixo de uma torneira e a abrimos. Logo o copo estará cheio, e assim, se continuarmos a colocar água ele transbordará. Agora, mudemos as figuras: O copo é o seu coração, orante, sedento, buscando uma vida de intimidade com Deus, a água é quando esse mesmo Deus começa a derramar graças e dons sobre você, então, seu coração, por estar cheio do Espírito Santo, deixa-se transbordar, e isso que se derrama é a música do céu: O transbordamento do meu coração que se deixa preencher por Deus.
Agora, é claro e gritante aos olhos quando isso não acontece:
- Quem se deixa guiar pelo Espírito Santo não faz questão de seu instrumento ser o mais alto de todos;
- Quem é músico de qualidade gosta de fazer silêncio (pois Deus não é barulhento);
- Aquele que se alimenta de oração melhora muito a sua técnica;
- Músico que não reza é apenas um reprodutor de barulhos;
Cabe a nós músicos nos perguntar todos os dias: Do que estamos nos alimentando? Qual tem sido a base para nossa canção? Será que estamos reproduzindo Deus, ou apenas utilizando os momentos que temos na presença do Senhor para deixar fluir nossa própria canção?
Para identificar, é simples: Aqueles que encaram a música como um dom dado por Deus, buscam o tempo todo uma vida de oração, amadurecimento na fé, e por consequência disso estudam sobre técnicas musicais e tentam o tempo inteiro reproduzir seu melhor e seu aperfeiçoamento. Quem vive estacionado na fé e acreditando somente em si mesmos, logo percebemos, ficam estacionados também em seu ministério. E aí caímos em um grande buraco, começamos a tocar a "nossa" música, e não a música do céu. Resultado? Musicalidade de baixíssima qualidade, ministérios que se desfazem, brigas, e o pior, o povo que se perde de Deus.
É preciso entender o tamanho da missão que temos nas mãos, basta lembrar quantas vezes fomos tocados por Deus por causa de uma música que ouvimos. É difícil lembrar todos os sermões de padres que escutamos ao longo da vida, mas, vira e mexe somos surpreendidos por aquela música que em algum momento da história nos marcou, isso foi resultado de um músico que orava enquanto tocava ou cantava.
Pense nisso, optar por Jesus é poder ter o coração livre para cantar do fundo da alma como Nossa Mãe um dia o fez "A Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador!"
Quando deixarmos nosso ministério fluir como o Magnificat fluiu do coração de Maria, aí sim, estaremos caminhando para, como ela, fazer Jesus nascer para o mundo a cada nota musical.
Por: João Paulo de Oliveira
Membro da Com. De Cristo Ressuscitado